segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Para começar...

Sejam bem vindos, senhoras e senhores!
Quero deixar claro aqui que não se trata de um blog com histórias surreais que contamos em volta da fogueira, pode não parecer mas tem uma pitada científica, porém não nos prenderemos apenas nos artigos e publicações acadêmicas. Em princípio, história cemiterial envolve desde a instalação do cemitério em determinada localidade, as histórias daqueles que ali habitam eternamente (tendo notoriedade ou não), peculiaridades do cemitério segundo sua tipologia e a tradução da arte tumular através da iconografia, basicamente: "qual a intenção de tal adorno sobre este túmulo?".
A divulgação de estudos e descobertas neste campo de pesquisa passarão por aqui também, bem como, eventos culturais a esse respeito (ou de outra natureza, eventos culturais são sempre bem vindos).
Mas já colocando a mão na massa - ou no teclado - (que infame!) demonstrarei como a cultura está ligada diretamente aos estudos cemiteriais. Como sabemos, o Cemitério da Consolação abriga os restos mortais de grandes notoriedades além de ser chamado de museu a céu aberto por suas obras de arte valiosíssimas sobre os túmulos, artistas como Brecherett, Nicola Rollo, Galileo Emendabili, Eugenio Prati, Materno Giribaldi, Leopoldo e Silva, entre outros, mas enfim, dentre as notoriedades destacamos os "Modernistas de 1922", mais especificamente Mário de Andrade, que lá está enterrado, e que em vida deixou declarações e mais declarações de amor a cidade de São Paulo, com uma de suas obras metafóricas fecho este primeiro post aguardando comentários. Abraço a todos.
Quando eu morrer eu quero ficar
(Mário de Andrade)
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça,
Esqueçam.
No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.
O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...
As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

7 comentários:

Mona disse...

Legal, boa pergunta Mauro, por que são feitas essas estátuas nos túmulos?? Sempre tive essa curiosidade. Será que era um tipo de homenagem??? Qdo descobrir me conte! Abraços.

Ricardo Augusto Jorge disse...

Boa Tarde, grande Mauro!

Adorei sua pesquisa, não que eu seja um adorador de cemitérios mas achei bastante interessante, continue com esse trabalho e me mantenha informado,

é sempre um prazer.
Abraços, de seu primo
Ricardo Jorge

kbção e vc tudo a ver... disse...

toca Raullll... Quando vamos fazer outra exposição de suas fotos no Empório e quando vai ter outra visita no Cemitério da Consolação??? Marca aeeeee pô e aproveita e marca uma visita pra Paranapiacaba que nois vai tbm... fui ... valheus , seu evento no Empóriofoi um sucesso... parabéns pela sua pesquisa e conte com o que precisar... fuy

Bianca disse...

Olá, Mauro!
Não sabia que o Cemitério da Consolação abrigava túmulos de tantas pessoas importantes e com esculturas de artistas que a gente conhece por outras obras, né? Eu passo em frente ao cemitério todo dia e só vejo alí, por cima do muro, é bem interessante mesmo.
Parabéns pela pesquisa! Imagino o "pouco" trabalho que deu...
abs!

Daniela Krogh disse...

Oi Mauro, tudo bem?
Gostei muito da sua pesquisa. Sou historiadora e tenho um trabalho sobre o Cemitério da Consolação ("Cemitério da Consolação: da munda nos hábitos de sepultamento à arte tumular"). Eu gostaria muito de ler sua pesquisa na íntegra. Vc poderia me enviar (danielaclio@yahoo.com.br)? Se vc quiser, também posso te disponibilizar a minha pesquisa.

Grey disse...

Me impressiona a riqueza contextual e ainda mais a citação de Andrade. Não poderia ter vindo em melhor hora. Estou cursando o primeiro semestre de História na UNIABC e farei questão de salvar seu blog entre os favoritos, para freqüente visitação. [ ] 's

rafael disse...

Saudções Mauro....
Aprecio necrópoles antigas e arte tumular,e ultimamente, venho lendo sites e blogs correlacionados ao estudo de cemitérios que ainda não tive a oportunidade de conhecer. Registro aqui, a minha satisfação perante seu trabalho sobre um assunto que desperta pouca curiosidade e atenção na maioria das pessoas.